Maria Ivone Vairinho e Poetas Amigos

Outubro 16 2010

Tenho o prazer de informar de que fui de novo premiada, desta vez com três menções honrosas, nos JOGOS FLORAIS de AVIS/2010.

Espero não incomodar, com o envio de anexos com os trabalhos premiados.

Muito obrigada

 

Com os meus cumprimentos

MARIETA ANTUNES

 

 

Quadra Popular

 

O FUTURO

 

Livre arbítrio Deus me deu,

Com poder de decisão;

Preparo o Futuro meu

Com cabeça e coração.

 

 

MARIETA ANTUNES

 

O FUTURO (conto)

 

Passava os dias como lenhador naquela região da imensa Floresta Amazónica derrubando árvores, uma após outra, a soldo de madeireiros que, por sua vez, abasteciam as serrações. Até a frugal refeição do meio-dia, trazida de casa, era comida ali mesmo no meio das árvores.

Naquele dia, depois de comer, resolveu fazer uma pequena sesta para recuperar um pouco do cansaço e do calor que se apoderavam dele.

-Não sei o que se passa comigo… (comentava com os seus botões) até parece que me falta o ar! Antigamente o calor não era assim tão sufocante!

Retirou o chapéu limpando as bagas de suor que lhe escorriam da fronte e, olhando para o cimo, sentiu na vista a agressão dos raios solares, que penetravam facilmente através das copas das árvores. Reparou, pela primeira vez, que aquele tecto compacto de verdura pujante que tão bem conhecia, era agora muito mais frágil e abrira mesmo alguns largos buracos.

-Tenho andado realmente muito distraído... (pensou, inquieto).

Encostado a um tronco e com o chapéu sobre o rosto, pegou no sono e teve um sonho: Apareceu-lhe um ser humano estranho, completamente envolvido numa espécie de ligadura, inclusive o rosto, fazendo lembrar uma múmia; protegia os olhos com óculos enormes, tão escuros que pareciam opacos e pintados de preto; a completar, trazia às costas uma botija de oxigénio de onde saía um tubo que terminava num dispositivo sobre a boca e nariz, supostamente para respirar. E, dirigindo-se-lhe:

-Então, tu és o tal que tem tratado do abate das árvores?!...

-Sim, é o meu trabalho; é disto que eu e a minha família vivemos. E você…quem é…e o que faz por aqui?!...

-Que te parece? Não fazes ideia?!...

-Eu não…nunca vi por aqui ninguém assim…Parece uma fantasia de Carnaval!

-É estranho, não é? Pelos vistos, ainda não olhaste à tua volta!

O lenhador relanceou o olhar em redor e, o que viu, deixou-o em pânico: o tal “Pulmão do Mundo”, com árvores frondosas e espécies raras de vegetação luxuriante, abrigo de mamíferos e de um sem número de aves exóticas que o presenteavam no labor diário com a sua habitual ornitofonia polifónica (canto, gorjeio, palraria…), autêntica “Torre de Babel” ornitológica, dera lugar à aridez, a perder de vista, de um deserto de poeira e rochas calcinadas por línguas de fogo que emanavam do sol, e queimavam a única e escassa vegetação de cactos espinhosos; do volumoso caudal do rio Amazonas, não sobrava uma gota; e, quanto a vida animal, nem sombra.

Ele próprio sentia-se a sufocar, enquanto a estranha criatura prosseguia:

-Eu venho do futuro. Este é o futuro que a humanidade anda a preparar para o planeta Terra…

O lenhador sentia-se prestes a desfalecer, debatendo-se aflitivamente com falta de ar, quando a picada providencial de um insecto o “salvou”. Inspirou profundamente, apressando-se a observar o que o rodeava, e esfregou os olhos com força para se certificar de que acabara de sair de um pesadelo.

-Foi um sonho horrível, (pensou) mas também foi um aviso…

Então, como pessoa consciente, reflectiu maduramente sobre o seu papel em todo aquele ecossistema. E concluiu que, apesar de ser um simples lenhador, tinha a sua quota-parte de responsabilidade como pequena peça na engrenagem destruidora; como tal, seria justo que, na mesma proporção, contribuísse também para a inversão do ciclo. Tomou então a firme decisão de, inconformadamente e no que lhe fosse possível, começar a funcionar nas duas vertentes; isto é, compensar o abate com o repovoamento florestal.

 

MARIETA ANTUNES

 

O FUTURO (conto)

Atingido tragicamente na infância pela morte prematura dos Pais, em acidente, João Carlos ficara ao cuidado dos familiares mais próximos: os Avós paternos António e Guilhermina.

Apesar dos desvelos que estes lhe dedicavam, esforçando-se para que nada lhe faltasse, a despeito das magras posses e avanço na idade, o duro golpe que sofrera marcaria indelevelmente a sua ainda curta existência.

O Avô, carpinteiro aposentado, voltara a trabalhar, para que os parcos proventos se expandissem e  pudessem proporcionar um pouco mais de desafogo à família, agora com novas e maiores necessidades. E, como jamais quis falhar os prazos acordados para entrega das encomendas ou defraudar de alguma forma algum cliente que em si confiava, muitas vezes seroava na oficina até horas tardias. Além disso, ainda fazia questão de arranjar tempo para se dar aos outros, em espectáculos de solidariedade, como elemento de uma banda filarmónica.

Era na Avó, doméstica que sempre fora, de temperamento afável e alegre, apesar de tudo, que João Carlos encontrava a companhia e a disponibilidade nos carinhos e mimos de que necessitava como criança.

Pouco a pouco os reflexos do funesto acontecimento começavam a esbater-se, quando, na sua adolescência, a tragédia voltou a ensombrar e a abalar as estruturas da Família: a Avó, com quem tinha aquela forte ligação de afecto e de grande cumplicidade, sucumbia a uma doença fatal.

O universo de João Carlos desmoronou-se em definitivo: fora-lhe arrancado o suporte que ainda dava estabilidade à sua vida. A Família ficava reduzida a um adolescente e um ancião que necessitavam de se consolar mutuamente, mas não sabiam como. Verdade seja que, as forças vivas da terra, uma vila do interior, foram preciosas no apoio a ambos, disponibilizando os recursos existentes, nomeadamente em psicoterapia. Além disso, na Escola, também os professores e colegas foram imprescindíveis no auxílio que lhe dispensaram com vista à sua recuperação. Contudo, o sulco profundo que se reabrira, tardava em fechar.

Mas o Avô, desde sempre a trave mestra daquela casa, voltou a endireitar-se e a enfrentar a adversidade, pois, pelo futuro do neto, não podia soçobrar.

Com a perda da Avó Guilhermina, estreitou-se mais o elo de ligação entre avô e neto. Atingidos entretanto os dezasseis anos e desejando poupar o Avô, João Carlos comunicou-lhe: 

-Avô, acabei de falar com o senhor Avelino, e ele aceitou-me para trabalhar no supermercado aos fins de semana e nas férias.

-Oh João, mas tens a certeza de que vais conseguir?

-Claro que sim, Avô.

-Vê lá, não prejudiques o teu desempenho escolar e o teu futuro.

-Fique descansado, que isso não vai acontecer. Assim, o Avô já pode deixar de trabalhar…

-Achas que sim?!... Claro que vou abrandar um pouco, deixar de aceitar certas encomendas,  para não seroar; mas, enquanto puder, além de dar jeito, o trabalho também me distrai…

E assim foi que, a partir daí, o Avô reduziu o seu labor e ambos passaram a acompanhar-se mutuamente ao serão, alternando os diálogos entre ambos com as horas de estudo de João, enquanto o Avô dormitava, cabeceando a seu lado, frente ao televisor. Eis senão quando, numa dessas múltiplas ocasiões:

-João, por favor, vai-me buscar um casaco ao quarto, que estou a sentir algum frio.

-É para já, Avô.

Ao abrir a porta do roupeiro, no fundo do mesmo, o rapaz deparou-se com uma espécie de pequena caixa de madeira, certamente feita pelo Avô, fechada a cadeado, em cuja tampa se lia “O FUTURO”, com letras de tinta preta. Surpreendido e curioso, pegou no casaco e, ao colocá-lo pelas costas do Avô, interpelou-o:

-Avô, o que representa aquela caixa no seu roupeiro com as palavras “O FUTURO”?

-Representa exactamente o futuro. E um bom futuro!...

-Mas… tem ali algum tesouro?!

-Pode-se dizer que sim.

-Não quer abri-la e mostrar-me?

-Qualquer dia serás tu mesmo a fazê-lo e a encontrar ali o que necessitas para o teu futuro,quando tomares o futuro nas tuas mãos…Por enquanto ainda és uma criança e, como tal, cabe a mim preparar-to, com as ferramentas que te vou passando…

-Oh Avô, está a deixar-me muito intrigado!...

-Já é tarde, será melhor irmos descansar…-rematou o Avô, esquivando-se à insistência do neto.

O tempo foi decorrendo naturalmente, até que o rapaz acabou o ensino secundário e, beneficiando de uma bolsa de estudo, ingressou no superior. António, que entretanto deixara de trabalhar em definitivo, pela avançada idade e saúde precária, passava os dias num centro de apoio e recolhia a casa apenas para pernoitar.

Inicialmente, João vinha regularmente aos fins-de-semana; mas as visitas foram espaçando, com o pretexto de obrigações escolares e de contenção de despesas. Contudo, em boa verdade, o motivo era outro: a grande cidade e as suas tentações, eram os responsáveis pela mudança que se operava na sua mente e no seu comportamento.

A breve prazo entregou-se a uma vida depravada, com incursão por toda a espécie de vícios,na qual, os estudos e o interesse pelo seu futuro, deixaram praticamente de ter representação.

Entretanto, o inevitável aconteceu: um telefonema informava-o do falecimento do Avô.

Perante a dolorosa notícia, algo estalou dentro de si e sentiu amargos remorsos por ter trocado as visitas ao Avô por aquela vida degradante em que se afundava. Sentiu uma onda de calor ruborizar-lhe o rosto, pela vergonha do percurso que tinha seguido. Era como se o Avô o tivesse surpreendido em falta, como acontecia em criança, quando praticava alguma travessura. E regressou à terra natal, pelo dever imperioso de acompanhar à última morada aquele último ente querido.

Terminada a cerimónia fúnebre, João entrou em casa e interrogou-se sobre o seu futuro. De súbito, esta palavra acordou-lhe a recordação da caixa no roupeiro do Avô. Desta vez, a chave estava mesmo inserida na fechadura, pronta a ser rodada. Ao fazê-lo, a caixa abriu-se e, no seu interior, estava apenas um papel com a seguinte mensagem escrita pelo punho do Avô:

           “ O FUTURO constrói-se com:

             TRABALHO

             HONESTIDADE

             RESPEITO

             RESPONSABILIDADE

             SOLIDARIEDADE”.

-Formidável! (pensou) O Avô registou neste papel os valores orientadores do futuro que desejava para mim…afinal, as tais ferramentas que, na prática, sempre me foi passando…(e que ele, lamentavelmente, olvidara nos últimos tempos). E, fixando a fotografia da Família ao lado da cama do ancião, onde a sua memória ainda permanecia bem viva:

- Descansa em paz, Avô! Prometo, não só a ti como a todos vós, honrar no futuro este precioso legado.

 

MARIETA ANTUNES    

publicado por appoetas às 03:43

Outubro 16 2010

 

 

 

 

Olhar o céu e ver nuvens caladas,

A lua erguendo-se, numa chama de luz.

Parecendo lágrimas amarguradas

Como na cruz chorou Jesus !

 

 

Parecia uma brisa na imensidade,

Como um raio trazendo sonhos de amor.

A noite tristonha, n'um lance de saudade

Envolvendo as almas em lances de uma dor !

 

 

Ao longe, bem longe, numa estrada solitária,

O Vento cantava uma tristonha canção,

Gemendo na sua grande canção funerária.

 

 

 

Tinha um olhar pungente, o sonhador,

Batia lancinante o seu triste coração,

Sua mente repousava com um doce ardor !!!

 

 

 

 

ADRIANO AUGUSTO DA COSTA FILHO

Casa do Poeta de São Paulo.

Movimento Poético Nacional.

Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores.

Academia Virtual Poética do Brasil.

Academia Poços-Caldense de Letras- M.G.

Ordem Nacional dos Escritores do Brasil.

Associação Portuguesa de Poetas/Lisboa/Portugal

 

(colocado por Maria Ivone Vairinho)

 

publicado por appoetas às 03:14

Outubro 16 2010

 

 

 

 

Passarinho da Ribeira,

Penso em ti a vida inteira.

Quero estar sempre contigo

E quero ser seu bom amigo !

 

Teu vôo é sutil e luminoso,

Em ti mil vontades me prendem.

Meus olhos por ti eles se rendem

No teu vôo curto e melindroso !

 

Ao longe um bando de passarinhos,

Todos belos e muito lindinhos.

Entrelaçam-se no espaço sozinhos

Voando sempre todos juntinhos !

 

Entre nuvens surgem andorinhas,

Como almas divinais brilhantes.

Que no céu  voam sempre mansinhas,

Iluminam os nossos ternos semblantes !

 

Passarinho da Ribeira, um Deus alado,

Sonho contigo, és um ser sagrado.

Nas ribeiras nos invernos agrestes

Enlaças os prados e de boninas vestes!

 

 

De norte a sul,no sudeste e nordeste,

No Céu azul de uma cor celeste.

Vêem Passarinhos da Ribeira com flores

Junto às aves trazendo mil amores !

 

No meu sonho eterno dessa  emoção,

Só com isso sonha meu pobre coração.

Passarinho da Ribeira quero um dia ser

E do Céu, a grandeza de Deus poder ver ! ! !

 

 

ADRIANO AUGUSTO DA COSTA FILHO

 

Casa do Poeta de São Paulo

Movimento Poético Nacional

Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores

Academia Virtual Poética do Brasil

Academia Poços-Caldense de Letras- M.G.

Ordem Nacional dos Escritores do Brasil

Associação Portuguesa de Poetas/Lisboa/Portugal

 

 

(colocado por Maria Ivone Vairinho)

publicado por appoetas às 02:37

Outubro 16 2010

Olá amigos ESPECIAIS

 

CONFIANÇA
É algo que os seres humanos estão a ter cada vez menos em tudo e em todos,
mas se quisermos ela pode ainda existir como preconiza o meu  poema
desta semana  que poderá ver em:  www.euclidescavaco.com

 

Com CONFIANÇA  deixo as minhas cordiais saudações para todos vós.
Euclides Cavaco
cavaco@sympatico.ca

 

Aceite o meu convite e venha tomar comigo um cálice de poesia.
Entre por aqui na minha sala de visitas e saborei da que mais gostar...
www.ecosdapoesia.com

publicado por appoetas às 02:32

Outubro 16 2010

Olá amigos especiais

 

SER  FADISTA
é o poema declamado para esta semana que tenho o grato prazer de vos oferecer
onde expresso a dizer a minha versão do que é  SER FADISTA . Ouça-o  e veja-o
com um simples clique em poema da semana aqui nesta minha sala de visitas:

 

www.euclidescavaco.com

 


Cordiais saudações
Euclides Cavaco
cavaco@sympatico.ca

 

Aceite o meu convite e venha tomar comigo um cálice de poesia.
Entre por aqui na minha sala de visitas e saborei da que mais gostar...
www.ecosdapoesia.com

 

publicado por appoetas às 01:58

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